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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

A aceitação da espiritualidade

Minha criação foi católica. Mas aquela católica bem brasileira, com benzedeira, com docinho de Cosme e Damião e entrega para Iemanjá no ano novo na praia. Quem entende?
Minha avó era católica e meu avô, que não conheci, era benzedor. Reza a lenda que minha vó fez ele se livrar do livro de São Cipriano, que tinha capa preta e chave.
Mas eu fui criada indo na missa, meus irmãos fizeram catequese e crisma (não fiz por falta de oportunidade na época) e tal. Católica de IBGE, como muitos.
Acho que comecei a discordar da Igreja Católica junto com minha alfabetização. Amar história é sentir remorso de pertencer a religião da Santa Inquisição. É sentir nojo da religião que apoiou o nazismo. Da religião que tem um país que só homens podem governar. Que legitima a perseguição a LGBTs, a castidade pedófila e o enriquecimento do Vaticano.
(In) felizmente eu amo história e a Igreja Católica não me representava mais.
Dizia ao meu pai que Jesus era um bom filósofo, como Sócrates. Um pouco mais mal interpretado pelos seus erm... discípulos.

Minha tia era kardecista e meu avô (esse de criação, padrasto do meu pai) tinha o Evangelho dos Espíritos, do Kardec, comido de traças e meio jogado na estante. Fui "proibida" de ler (foi mais uma recomendação de não- leitura). Escorpiana teimosa e adolescente curiosa que era e sou, li inteiro, escondida. Eu tinha 16 anos.

Aquele livro deu um nó na minha cabeça. Eu passei foram ANOS odiando a ideia de que eu havia escolhido onde nascer. Como nascer. A família. Tudo.

A ideia de que uma pessoa com deficiência OPTOU por nascer assim fez um verdadeiro inferno na minha mente. Eu não sabia o que sentir. E sentia ódio.
Foram 5 anos (aproximadamente) me declarando agnóstica. "Deus? Existe, mas não na tua bíblia. Nem na tua falta de empatia."

Porém, o chamado da espiritualidade não me dava paz.

Tentei voltar para a Igreja Católica, brincando de "bem-me-quer" para conseguir ouvir uma missa completa. "Isso me serve"/"Isso não me serve"/ "Isso me serve"/ "Isso não serve a ninguém".

Obviamente não deu certo.

Tentei o evangelismo. Desse eu saí pisando duro de ódio, após uma sessão de "oração para curar o lesbianismo" da filha de uma moça de lá.

Caramba, e agora?

Eu sempre tive uma admiração muda pelas religiões de matriz africana. Mas parecia tão difícil de entrar e conhecer...

Uma mão se estendeu. E eu vim para a Umbanda.

Mais madura, consegui digerir melhor o Evangelho dos Espíritos. Aprendi sobre caridade. Sobre se doar. Aprendi que dá para ser religiosa e não crer no maniqueísmo cristão.

Entendi porque o mar cantava para mim quando eu ia visitar.

A mão que se estendeu para eu conhecer a Umbanda mudou minha vida.

É claro que para mim, que sempre busquei a razão crua e imediata; me resta uma vida de aprender.

Mas eu sirvo a um Deus vivo. A Deuses, que são Orixás, de cada força da natureza e da vida.

Cá estou.

Um dia voltaremos nesse assunto

domingo, 18 de novembro de 2018

A Umbanda em minha vida!


    Quando ouvia a palavra UMBANDA, a primeira coisa que pensava era que não era do bem; normal das pessoas julgar sem conhecer, ter uma ideia fixa e errada daquilo que nem se conhece. Mal sabia eu que um dia ela entraria em minha vida fazendo com que eu finalmente me sentiria completo e  sentiria um amor nunca visto antes; que tudo mudaria desde então.
Nasci numa família católica que praticava a religião com seriedade e tudo que era novo e desconhecido era errado.
    Ao completar meus dezoito anos me lancei no mundo para olhar a vida com meus próprios olhos e assim ter minhas próprias experiências vividas. Conheci vários lugares, viajei bastante, conheci muitas religiões e ainda sim sentia dentro de mim que ainda faltava algo; amor? Conhecimento? Aventuras? Eu não conseguia saciar.
    Foi aí que, entre indas e vindas do destino, que eu mesmo sem querer acabei chegando na cidade de Marília (a tão tão distante) e mais, além de chegar aqui, quando dei por mim, estava me mudando para esta cidade. Como todo começo é difícil, eu me vi numa cidade completamente diferente, sem conhecer ninguém e com uma mudança de vida radical. Novo cargo no trabalho, novas responsabilidades, novos obstáculos.
     E o desespero bateu à minha porta! Passado alguns meses da mudança eu me vi desesperado por estar só, sem forças pra continuar e não me restava mais nada a não ser desistir de tudo. Então a umbanda se apresentou mais uma vez pra mim! Através de um “convite”  (que eu relutei muito e adiei o quanto pude, por medo) que eu finalmente a conheci. Numa quarta-feira qualquer de mês eu finalmente aceitei este convite de uma amiga para ir numa das sessões de umbanda. Ao chegar no local eu me vi desesperado e com um medo tremendo, medo do desconhecido. Entrei, me sentei e com toda atenção possível eu assistia ao início da sessão ( com medo principalmente).
    Quando comecei a me sentir confortável no local, aí então sou chamado para tomar o famoso “passe” com  o guia incorporado! Lá fui eu me tremendo todo, sentindo minhas mãos suar, um frio na barriga e quando comecei a conversa fui abrindo a mente e recebendo toda aquela energia e conhecimento. Ao terminar a conversa com o guia, surpreendentemente ele segurou minhas mãos e me disse assim “ fio, tem uns guias rondando você” eu sem entender fiquei desesperado e ao pedir explicação soube que eu poderia ser um médium! Fiquei maravilhado com a notícia e quis aprender muito mais. Tive uma conversa com a dirigente do terreiro ( que hoje eu amo) e comecei a desenvolver minha mediunidade dentro da religião.
    Por muitas vezes me senti inseguro e com medo, foi aí então que numa sessão de pretos velhos eu  tive minha primeira incorporação. Estava eu lá concentrado quando senti essa energia magnífica que me tomou e senti uma paz como nunca havia sentido antes; sentia meu corpo flutuar e esvaziei a mente, foi surreal! Ali, pela primeira vez me senti completo, senti que alí era meu lugar e assim entendi que Deus escreve nosso destino e as melhores situações tem tempo certo para se apresentarem a nós. Ali entendi que eu tinha que viver tudo que vivi antes para poder estar ali naquele lugar, naquele dia e hora exatos para que finalmente me sentisse completo.
    A umbanda trouxe uma grande mudança para minha vida! Me fez ser mais forte, me deu a capacidade de olhar o mundo com outros olhos, de sentir amor no que faço, de sentir a necessidade de ajudar o próximo e a entender o mundo espiritual. Hoje sou imensamente grato a Deus por me apresentar tudo isso, por me permitir aprender sempre mais dentro dessa religião incrível que é a Umbanda.
Hoje frequento uma casa que é puro amor, somos como uma família e aqui encontrei a paz que tanto busquei para a vida!
    O conhecimento nunca é demais, estou na caminhada buscando aprender detalhe por detalhe deste mundo maravilhoso que é a umbanda. Digo sempre a todos, conheçam a umbanda e jamais serão os mesmos! Umbanda é amor, fraternidade e caridade ❤️

domingo, 11 de novembro de 2018

Por que desse blog?

As Linhas de Umbanda
Resolvi escrever nesse blog apos conversar com meu marido, ele falou que seria interessante registrar todo desenvolvimento que fazemos durante a vida, principalmente pra relembrar e não esquecer de quem foram seus guias quando eles ganharem luz, vou começar com essa postagem falando sobre minha história.

Não sei mais ou menos quando mas desde 2010 eu frequentava um barracão no centro de São Paulo a convite de um amigo meu., esse convite seria para que eu começasse a me desenvolver mesmo sem saber se tinha algum nível de mediunidade.
Antes desse período eu ia alguns dias num terreiro de outro amigo meu, no qual comecei aprendendo um pouco mais.

No Terreiro do Pai  Francisco começamos a nos desenvolver, mas apenas sentia a vibração dos guias. mas infelizmente não consegui uma incorporação, mas teve um período que ele mudou e não consegui acompanha-lo. Depois desse barracão eu fiquei um tempo sem frequentar barracão para participar das giras mas algumas vezes frequentei como assistência.

A três anos atras mudamos para Marília e conhecemos o barracão de Oxossi uma casa que toca Umbanda e Candomblé, e nele comecei a me desenvolver e receber meus guias. Em 2016 meus guias começaram a ser incorporados com mais facilidade.